Mitos e Verdades

Foi realizado um inquérito online contendo diversas afirmações, pedindo que os inquiridos as classificassem como: "não sei", "depende", "verdade" ou "mito".  Ao todo, foram obtidas 143 respostas. Fizemos um gráfico para ilustrar melhor as opiniões das pessoas.



1. Um medicamento genérico é menos eficaz do que o respetivo original de marca.

MITO...

Os medicamentos genéricos exibem a mesma qualidade, eficácia e segurança do que o medicamento original.

Um medicamento genérico apresenta na sua composição o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica, e com a mesma indicação terapêutica do que o medicamento original (de marca), que lhe serviu de referência.

É fabricado de acordo com as mesmas exigências de controlo e rigor do que o medicamento original, estando sujeito às mesmas disposições legais, e demonstrando assim a mesma segurança e eficácia.

Ao contrário do medicamento original, o genérico não necessita de um processo de investigação que conduza à descoberta de uma nova substância ativa, logo, os seus custos de investigação são mais reduzidos e, consequentemente, o seu preço é mais acessível.

2. Se tomar uma dose mais alta de um medicamento, melhoro mais rapidamente. 

MITO...

A DGS alerta que aumentar indiscriminadamente a dose de um medicamento não acelera necessariamente a recuperação, podendo, inclusive, aumentar a sua toxicidade ou potenciar os seus efeitos adversos. 

A dose de um medicamento e a sua resposta no organismo seguem uma lógica de curva com um efeito plateau a partir de uma certa dose (efeito máximo).

Daí conclui-se que doses superiores a um certo ponto não aumentam a eficácia, só aumentam a toxicidade.

A maioria dos medicamentos tem uma janela ótima de dose; aumentar fora dessa janela é ineficaz e perigoso.

3. Se falhar uma dose de medicamentos, o dobro da dose da próxima vez compensa.

MITO...

A OMS reforça que a adesão correta à dose prescrita é crucial e que alterar doses sem orientação médica não melhora resultados e pode piorar o prognóstico.

O Infarmed publica folhetos informativos de cada medicamento comercializado, onde é claro que nunca se deve alterar a dose sem indicação médica, bem como o que fazer em caso de esquecimento de tomas, indicação que difere de medicamento para medicamento.

4. É preferível ficar imunizado ao apanhar a doença do que pela vacinação.

MITO...

Embora em algumas doenças a imunidade natural (após infeção) possa ser forte, o risco de complicações graves, sequelas ou morte é muito maior do que com a vacinação.

A vacinação previne o aparecimento de doenças, torna possível a sua erradicação, eliminação ou controle e protege as pessoas de sofrimento e de morte.

É uma forma segura e eficaz de proteger contra doenças antes do contacto com elas e, por isso, sem a pessoa ter de correr o risco de adoecer gravemente.

As vacinas utilizam as defesas naturais do corpo para criar resistência a infeções específicas, ensinando o corpo a produzir anticorpos sem causar a doença, sendo por isso o método mais seguro que leva à imunização.

5. Posso interromper a toma de um antibiótico quando me sentir melhor.

MITO... 

Quando não se toma um antibiótico até ao fim, acontece que as bactérias não morrem totalmente, o que faz com que as bactérias sejam mais difíceis de tratar e provoque resistência a antibióticos.

Os antibióticos promovem a morte de bactérias e a melhoria de sintomas acontece como consequência da morte das bactérias.

6. Não se deve consumir álcool, enquanto estivermos a ser medicados.

VERDADE... 

O álcool em alguns casos provoca alteração no metabolismo do fármaco, uma vez que ambos são metabolizados no fígado. Geralmente aumenta a metabolização, reduzindo a sua eficácia.

No caso de medicamentos psicotrópicos, como sedativos, antidepressivos e antipsicóticos, podem intensificar efeitos sedativos e aumentar o risco de toxicidade.

Já com o uso de antibióticos, pode haver a intensificação dos efeitos secundários, como náuseas e sonolência…


7. Todos os medicamentos fazem mal ao estômago, se tomados em jejum.

MITO... 

Nem todos fazem mal se tomados em jejum. Há medicamentos que são tomados com alimentos para prevenir reações adversas no estômago, ou reações adversas, por exemplo, os anti inflamatórios.

Excluindo esses medicamentos, a escolha entre tomar durante as refeições ou em jejum, é feita de modo a aumentar a absorção da substância, o que vai depender de cada medicamento.

Os medicamentos para a azia/antiácidos e relacionados são tomados durante a refeição, uma vez que é nesse caso que ocorrem os sintomas.

8. Os medicamentos podem ser descartados no lixo comum.

MITO...

Devem ser entregues nos ecopontos da valormed, presentes em farmácias comunitárias e parafarmácias. Todos os medicamentos fora de validade, embalagens, blisters, e acessórios utilizados na sua administração como: copos, conta gotas, colheres…

Mas não se pode colocar seringas ou qualquer outro material corto-perfurante, termómetros de mercúrio, aparelhos elétricos, material de pensos, produtos químicos ou detergentes, fraldas e radiografias.

Deve-se adotar essa prática de modo a não provocar contaminações ambientais.

9. O horário da ingestão do medicamento afeta a ação deste.

 VERDADE... 

É importante respeitar a hora da toma dos medicamentos como o médico receitou. Sendo especialmente importante em certos medicamentos e condições clínicas específicas, onde um atraso, adiantamento ou esquecimento de uma dose pode resultar em consequências graves.

Como por exemplo: medicamentos que causem sonolência; insulina (o não cumprimento do horário provoca o risco de hiperglicemia); antiarrítmicos (não administrar num horário fixo pode resultar na irregularidade do seu batimento cardíaco); contracetivos orais (o incumprimento do seu horário de administração pode prejudicar a eficácia da proteção contra uma gravidez). 

10. Todos os medicamentos têm potenciais efeitos secundários. 

 VERDADE... 

Todos os medicamentos no mercado podem causar tanto reações adversas quanto trazer benefícios.

Os médicos quando prescrevem um medicamento devem pesar o risco dos potenciais efeitos secundários perante o benefício esperado, como: tratar uma doença.

O uso do fármaco só se justifica se os benefícios esperados superarem as possíveis reações adversas.



11. Posso tomar vários medicamentos em conjunto. 

 VERDADE, MAS DEPENDE... 

Existem fármacos que tratam uma doença, no entanto são nocivos para outra. Como por exemplo: Alguns betabloqueadores que são utilizados para regular doenças cardíacas podem agravar a asma ou dificultar a deteção de hipoglicemia por pessoas com diabetes.

Deve-se informar sempre os médicos de todas as doenças têm antes que este receite um novo medicamento.

12. As vitaminas são sempre boas e podem ser tomadas sem prescrição.

MITO... 

Os suplementos alimentares devem ser sempre recomendados pelos profissionais de saúde quando um paciente evidencia deficiência de vitaminas nos exames sanguíneos realizados.

Geralmente pacientes com condições clínicas particulares como: diabetes, osteoporose, pacientes em tratamento oncológico e com sistemas imunológicos deprimidos, necessitam de tomar suplementos alimentares.

A toma de suplementos alimentares deve ser controlada, uma vez que o exagero de cada vitamina pode resultar em consequências graves.

Em título de exemplo: o excesso de vitamina C pode provocar diarreia e formação de cálculos urinários;

O excesso de vitamina E pode causar hemorragias;

O excesso de vitamina K pode levar à coagulação do sangue;

O excesso de vitamina D pode levar à acumulação de cálcio nas artérias e órgãos;

Excesso de vitamina A pode desencadear problemas neurológicos, para além de apresentar riscos para as grávidas.

13. Se um medicamento é natural, é 100% seguro. 

 MITO... 

Como muitos medicamentos naturais são vendidos sem receita, as pessoas assumem que estes não apresentam riscos e fazem melhor que os outros fármacos.

Mesmo sendo natural, um medicamento pode causar efeitos colaterais, ter interações com outros medicamentos, ou até ser tóxico em certas doses.

Mas tudo isto depende e varia conforme a parte e o tipo da planta utilizada, e a quantidade doseada destas substâncias químicas.

Um exemplo é a planta medicinal digitalis purpurea (dedaleira), fonte da substância digoxina, a qual é usada para tratar doenças cardíacas, mas em doses elevadas pode causar arritmias graves e levar à morte.

Por isso, mesmo que na maior parte dos medicamentos sejam utilizadas substâncias derivadas de plantas naturais, não devemos assumir que "não faz mal", e como em qualquer tratamento é preciso orientação e cuidado na sua toma.

 14. O café corta o efeito dos medicamentos.

VERDADE, MAS DEPENDE... 

O café pode alterar o efeito de alguns medicamentos, mas não de todos, depende do tipo de fármaco, da quantidade de café consumida e do organismo da própria pessoa.

O café contém cafeína, uma substância estimulante, que pode alterar a absorção dos fármacos no corpo e, consequentemente, o seu efeito desejado.

Além dos possíveis efeitos secundários, como nervosismo, insónia ou batimentos cardíacos acelerados.

Certos medicamentos como ansiolíticos, antidepressivos e alguns antibióticos têm a sua eficácia terapêutica alterada pela cafeína.

15. Os antibióticos cortam o efeito da pílula.

MITO... 

Os únicos antibióticos conhecidos que podem reduzir a eficácia da pílula são a rifampicina e a rifabutina, medicamentos usados no tratamento da tuberculose e infeções bacterianas.

Estes fármacos aceleram o metabolismo das hormonas dos anticoncepcionais no fígado, diminuindo assim a sua quantidade na corrente sanguínea e a eficácia da pílula na prevenção da gravidez.

16. Tomar um antibiótico "por prevenção" evita que a doença piore.

MITO...

A toma de antibióticos é indicada quando se confirma um diagnóstico de uma infeção causada por bactérias, sendo prescrito pelo médico.

O uso destes medicamentos sem necessidade ou sem prescrição médica pode causar resistência bacteriana e aumentar o risco de efeitos colaterais.

Em situações muito específicas, o médico pode prescrever antibióticos como prevenção: antes de cirurgias e para pessoas com sistema imunológico comprometido.

17. Os medicamentos novos são sempre melhores.

MITO... 

Os novos medicamentos podem trazer inovações e melhorias quanto à terapêutica.

No entanto, estes medicamentos quando são inseridos no mercado continuam em observação pois podem apresentar alguns riscos ainda desconhecidos pelos investigadores.

Ao contrário dos medicamentos antigos que já são usados há vários anos e já foram realizados todos os testes necessários.

18. Após o fim da validade dos medicamentos estes continuam a ter o mesmo efeito.

MITO...

Quando os medicamentos são fabricados, realizam-se estudos de estabilidade que nos permitem saber até quando a qualidade do produto se mantém.

Assim passado da data-limite (prazo de validade) as propriedades dos medicamentos poderão ser afetadas e estes não serem seguros para tomar ou até deixarem de serem eficazes.

19. Os medicamentos causam dependência.

VERDADE, MAS DEPENDE...

Nem todos os medicamentos causam dependência, mas alguns como: os ansiolíticos e sedativos usados para a ansiedade e para dormir provocam dependência nas pessoas que os tomam.

Esta dependência pode ser causada por tolerância adquirida ao fármaco, dependência física ou dependência psicológica.

20. Os medicamentos que os adultos tomam podem ser usados por crianças, com dosagens adaptadas.

MITO...

As crianças têm processos fisiológicos de absorção, distribuição, metabolização e eliminação diferentes dos adultos e que se vão modificando ao longo do seu desenvolvimento. 

Desta maneira, as doses de medicação destinadas a crianças não devem ser calculadas com base na proporção do seu peso corporal relativamente aos adultos.

A medicação para as crianças deve ser específica para estas em que estão divididas em diferentes subpopulações pediátricas de acordo com a European Medicines Agency (EMA).


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